Resenha – O Interrogatório

O Interrogatório, de Roderick Anscombe, é um livro fantástico. Uma obra em que o tema abordado foge ao usual – bem como o cenário em que as cenas e fatos se desenrolam – e em que a tensão é forte, marcante e preponderante para o ritmo da narrativa e para o sucesso da obra de forma geral.

Se nós, quanto seres humanos, somos tão acostumados a ouvir e a falar, torna-se impressionante o detalhismo com que o raciocínio é exposto no livro em questão, a forma com que a linguagem corporal, por assim se dizer, é apresentada e com que o próprio enredo se desenrola. Apresenta uma trama concisa, reveladora e surpreendente.

Mais do que isso, o fato de o narrador ser um experiente psicólogo criminalista, de ver-se inserido em uma trama amorosa em que a falta de provas age a favor do latente perigo contra a vítima e no qual nome e poder estão acima de muitas coisas, cria-se uma intensa e fadigosa batalha mental. Nela, situações e palavras agridem mais que golpes físicos, e o sentimento de segurança, o estudo do adversário e de suas próprias ações podem definir um vencedor.

Por outro lado, com temas densos e disputas intelectuais tão pesadas, talvez seja preciso calma e tempo para que o leitor agregue e distingua os detalhes – o que de forma alguma denigre a imagem do livro. Até porque, como previ no “Julgando pela Capa” anterior, os argumentos realmente sobressaem ao contexto e originam uma história inteligente.

Roderick Anscombe foi muito bem sucedido aqui e, se é de seu interesse histórias policias e de thrillers psicológicos, este é uma obra que merece ser lida.

Autor:

Publicitário e administrador por formação, viciado em livros e um músico mal-compreendido pelos amigos. Responsável pela sessão literária do Lokotopia e pelo LivroCast. Tenta ser sempre eclético e levar todos ao fantástico mundo da literatura. Twitter, Facebook e Google+.

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